quinta-feira, março 21, 2013

*piú*piú*piú*

Em tempos idos eramos rigorosas nesta casa (e às vezes também distraídas). 
De hora, minutos e segundos marcados, aguardavamos os convidados, com emoção e ansiedade.
Hoje em dia... com a modernice das "estações antecipadas", nem sequer a boa da época mais piú-piú do ano consegue seguir o calendário. E ainda por cima chega antecipada o que, em termos de protocolo, demonstra uma grande falta de chá. Pessoalmente, preferia até que chegasse atrasada, mas pela etiqueta isso demonstraria ainda maior desfaçatez, enfim.
Concluindo, cá chegou ela, 24 horas antes do previsto, e a 20 de Março já pudemos proclamar oficialmente a chegada da Primavera. Ontem às 11h04 da manhã, para ser mais exacta.
Infelizmente com as pressas ficámos a perder, ela – que não foi convenientemente celebrada – e eu –, que nem um vestido garrido usei, nem umas flores no cabelo pus.
Isto anda tudo muito murcho. Valha-nos que ainda temos 92,79 dias pela frente. Piú.

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sábado, março 16, 2013

the great american (and portuguese) cake

 
No outro dia cometi a suprema bravura de entrar na Fnac. Aquilo que durante anos foi um hábito quase diário, passou a ser uma raridade e deixei de frequentar aquele antro de perdição, porque quando não há meios ($$$) evitam-se as tentações. E eu não gosto de sofrer mais do que é estritamente necessário.
Mas desta vez não resisti e, um pouco a medo, fui desfilando por entre os escaparates de muitos e muitos livros que me piscavam o olho, estendiam os bracinhos abertos, escancaravam as páginas, em pedidos e súplicas desavergonhadas. Leva-me! Leva-me! Leva-me!
Fui forte. Mesmo com olhos de Bambi e coração despedaçado, recusei todos estes pedidos de namoro. Até... chegar à mesa dos livros de cozinha. Pronto. Abarbatei o livro num segundo e corri para a caixa sem olhar para trás, e sem dar hipótese ao meu grilo falante para começar a sua retórica.
Considero este acto imponderado como um sinal positivo. Convenço-me que significa que algo em mim está pronto a regressar a pequenos nadas de que tanto gosto e que por tantas razões descurei. Passei de: quero fazer bolos, para: vou fazer bolos! :)
Não conhecia a Julie mas os seus creamcakes seduziram-me. Estou desejosa de experimentar as receitas – quase todas tradicionais e –, já agora, a versão dela do Red Velvet.
E delícia das delícias, a menina tem um blog e um site, onde – espante-se! – tem à venda muitos produtos da maravilhosa marca Wilton. Acabaram-se malas carregadas destes goodies vindos de New York (ou trazia eu, ou enviava-me a minha prima, ou lá vinha a pobre da minha tia ajoujada de farinhas e fermentos mágicos).
A Julie é norte-americana mas vive em Portugal desde 1998 e nas notas biográficas consta que:

"Formou-se em Artes Plásticas trabalhando primeiro como Ilustradora Profissional 
e mais tarde como Designer Gráfica.
Tem 33 sobrinhos, quatro cães e dois gatos"

Sinto que somos almas gémeas, ou quase. 
Afinal, para a perfeita sintonia só me faltam 33 sobrinhos, três cães e dois gatos.
 
"O calor do fogo e o do coração são, sem dúvida, 
dois maravilhosos ninhos para fazer crescer coisas boas."
Querida Julie, subscrevo de cruz.

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quarta-feira, março 13, 2013

uma geral

É disto que eu preciso. Limpezas profundas e rearranjo da big picture.
(na casa e em mim própria...)

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domingo, março 10, 2013

economia de escala

Para encerrar um fim-de-semana exclusivamente dedicado às lides domésticas, nada como efectuar mais uma ida ao supermercado. Além de a deslocação ser imperiosa para encontrar os amigos vizinhos (nunca falha) e pôr a conversa em dia, também necessitava de repôr alguns productos de limpeza (esgotei o stock), e acima de tudo, improvisar um jantar ready-made porque as limpezas ainda não chegaram ao fogão...
No balcão da charcutaria fui surpreendida com "a promoção do dia": Quer um frango assado? Pague 1 e leve 2!
Refleti durante uns segundos e aceitei a oferta. Crise é crise.
Portanto, estás a ouvir-me Milú Maria? Hoje temos para jantar um franguinho quentinho e acabadinho de assar, amanhã frango frio – que também é muito bom –, terça-feira salada de frango, no dia seguinte umas sandochas de frango com alface, a seguir um arrozito com frango rapado dos ossos e, lá para sexta-feira, umas empadinhas ou croquetes.
Na poupança é que está o ganho. E sorte tenho eu, que gosto de frango.

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quinta-feira, março 07, 2013

ai-fónico

 *****suspiro*****
Olhem, nem sei que diga. Até dói. Como é que é possível?!
Vai uma fada inocuamente jantar com queridos amigos e, quando chega a casa da anfitriã, segundos depois de pousar o casaco e ainda antes de ter tido oportunidade de beijocar toda a gente ou pegar num copo de vinho para bebericar uns golinhos relaxantes, é-lhe pespegado nas mãos um tijolinho embrulhado em forma de prenda, tal qual como se ainda fosse Natal.
Oi? Então? O Natal é daqui a mais de 9 meses e só algures em Setembro é que canto os parabéns!
Nada a fazer, com esta gente não se brinca.
Com um ponto de interrogação estampado na cara, lá abri o pacotinho (pequenino, compacto e pesado...) e de repente aterraram-me os queixos no chão.
Não vale a pena descrever a barafunda que se viveu nos momentos seguintes.
Sobrevivi com guinchos e gemidos aos vários chiliques que sofri. E já não recordo quantas vezes insultei e barafustei com a amiga (amiga? essa mera palavrinha não chega!) que me fez a oferta. A sério, nem estou em mim.
Resumindo, tenho um novo e cintilante bichinho na família, pelo qual há muito suspirava e desejava, e que muito vai ser mimado e estimado.
Para já, tenho que aprender convenientemente a funcionar com ele, e a manejá-lo com perícia (cheira-me que vou ter que cortar drasticamente as unhacas...) mas o amor à primeira vista foi imediato, obviously.
Faltam agora algumas vestimentas a condizer, para o agasalhar e proteger. Vou dedicar os próximos dias a providenciar isso. Sugestões? :)))
Querida e maravilhosa amiga Mafagaguinha, em TUDO, superas todos os limites do impensável. Enough is enough! Por favor, agora deixa – mesmo que só por um bocadinho – seja a minha vez!

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quarta-feira, março 06, 2013

até que a voz me doa

Estrepitoso!
Creio que tal não acontecia desde os meus 14 ou 15 anos.
Ontem passei a noite inteira ao telefone com uma amiga do coração. Atarrachada ao fio da parede, ouvi e palrei entusiasticamente durante horas e horas e horas. Sentada no chão, esticada na cama, encostada à parede, a fazer festinhas à Milú, com um quadrado de chocolate na boca, até enquanto limpava o pó a um móvel :)
E tomem por literal a referência a "horas e horas e horas". Para ser rigorosa, a conversa durou entre as 21h43m e as 02h02m. Um total exacto de 4 horas e 19 minutos...
Bom, vou ser honesta, talvez tenham sido apenas 4 horas e uns 17 minutos, dado que ambas fomos obrigadas a uma breve pausa para, hum, eeeerrr, pois... fazer xixi <:>
Enfim, uma maçada, estas condicionantes que chegam sempre em muito má altura, que fazem perder a linha do raciocínio e desperdiçar tempo precioso.
E ficou tanto por dizer. Tchhhh.

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terça-feira, março 05, 2013

no bed of roses

Se o karma for algo em que devemos acreditar, chego a duas possíveis conclusões que muito me perturbam: ou fui uma cabra descomunal numa qualquer vida passada ou vou ser deslumbrantemente feliz numa próxima. Mas por enquanto, o que me resta é apenas esta, a vidinha do meio.
Como nenhuma das hipóteses me convence em pleno, nem aceito a teoria simples da vida madrasta, acredito piamente que algures por volta de 2006, devo-me ter distraído e partido um espelho.
Volvidos 7 anos a cortar-me nos cacos, a lamber muitas feridas e a aguentar a dor, acredito igualmente que não há sorte que sempre dure, nem azar que nunca acabe (com ênfase neste último).
Neste equilíbrio de forças há algo que também me assusta pois, sem margens para dúvidas, sou uma sortuda imensurável.
Tenho amigos muito especiais (desde sempre) e pouco mais importante do que isso.
Humildemente, um dia queria conseguir retribuir nem que fosse numa ínfima parte, o enorme apoio e carinho que me têm dado em tantos momentos e situações.
Desejava ter a capacidade de dizer tanta coisa que representasse um IMENSO agradecimento.
Tanto, tanto, tanto, e tudo, e tudo, e tudo...
Elder (mil vezes), Patrícia, Catarina, Anabela, Mafalda, Levina, Jorge BX, Henrique, Ida, 
Carlos, Fernando, Isabel, Cristina, Hugo, Paula, Sari, Jorge, Nuno, Elisabete, Sílvia, Joaquim, Paulo, e ainda, Alice G., Maria, Ricardo, Filipa, Antonieta, Joy, Balhô, 
Raquel, Augusta, Graça, Henrique F. Eduarda, Artur, Alice, Victor, Rita, Rui, 
Maria João, Sara, Sandra, Mafalda P.
e a mais uma bela mão cheinha deles, por tantas razões
 

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domingo, março 03, 2013

rainha mãe

 photo the_end_zpsd0ce2e18.gif 
in my heart, forever and ever
in loop, forever and ever, always on play
in loop
forever and ever, never forgotten


in loop 




forever and ever

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

wednesday

Just after tuesday and before thursday.
Go figure. Give me poison!

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segunda-feira, fevereiro 25, 2013

sempre a mesma

Ah-ah-ah-ah-ah, o advogado ao tentar recuperar a minha senha de acesso ao portal das finanças (mantive a mesma durante anos e anos, mas agora simplesmente bloqueou), e deparado com a minha secret question de segurança, vira-se de rompante e pergunta: qual é o teu filme favorito???
Reinventa-te fada!
Nova senha, novo filme, nova vida, quiçá. Quer queiras, quer não.

(by the way, hoje é "o primeiro dia do resto da minha vida", desejem-me sorte...)

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sábado, fevereiro 23, 2013

a razão explica tudo...

... ou talvez não.
Novamente numa varanda no Chiado, a chuviscar e já muito tarde na noite.
Cena observada a um par de andares de altura: 2 homens sobem penosamente a rua. 
Um, baixinho, de bóina, saia preta pelo joelho e botas de cano (houve alguma festa no Lux e não fui informada?). O outro, muito alto, igualmente de bóina e mochila às costas, optou por tapar os caniços com um previsível par de calças.
O primeiro dissertava apaixonadamente sobre os efeitos da aderência da sola dos sapatos idênticos que ambos calçavam, qualquer coisa como um misto de dr. martens e botifarras de pescador (ao que percebi no meio da escuridão). A cada exercício anti-derrapagem que o senhor demonstrava (chiando no asfalto), virava-se para o amigo e mostrava convicto, vês? vês?, acrescentando empolgado muitos, percebes? percebes? Compreendi que o assunto lhe era caro.
Happening inusitado, talvez, mas não tanto quanto o mistério dos estranhos objectos que esta dupla carregava nas mãos: uns paus muito longos, grossos e torneados, que de relance sugeriam bengalas gigantes ou apetrechos da caça ao espadarte.
Esforcei-me, mas não consegui encaixar o "todo" da situação. Provavelmente a justificação poderá ser muito óbvia: tinham acabado de sair do ensaio de um grupo de Pauliteiros de Miranda, ou mesmo de um grupo desportivo de salto à vara. Ou ainda, quem sabe, as estranhas varetas poderiam ser simples varões de cortinados encontrados na rua que, depois de reciclados, serão ideais para a prática de pole dance em casa.
Sei bem, teoricamente há sempre uma razão plausível para tudo, still... vou continuar a dormir sobre o assunto.

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quinta-feira, fevereiro 21, 2013

he does

 photo espiral_zpsc5427249.gif 
Listen to me very carefully, I shall say thizzz only once:
PARABÉNS!

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terça-feira, fevereiro 19, 2013

cream'a'licious


Cream swirls will save the world.
Mais palavras para quê?

[Elle Fanning para a New York Magazine]

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segunda-feira, fevereiro 18, 2013

pop-up

 
Ai, nem sequer para badalar o meu próprio trabalho consigo ser expedita.
O número de Fevereiro da revista UP já anda aí pelos ares desde o início do mês, e pelo menos 3 pessoas já me disseram que a apanharam a bordo de um qualquer vôo da TAP. Amigos viajados, hein? inveja...
É a quarta capa que faço para esta publicação e f-i-n-a-l-m-e-n-t-e saiu-me na rifa uma modelo fantástica, não que isso interferisse em nada da minha parte mas, ainda assim, merece menção. Todas as anteriores – lindas de morrer, fica a ressalva –, com carinhas de bonequinhas de porcelana e corpinhos que não queremos acreditar que existem, não passavam de desesperantes múmias paralíticas.
Esta não, uma pimpolha de 16 anos (d-e-z-a-s-s-e-i-s! isso: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16) deu uma lição de profissionalismo as muitas starlets que por aí andam. De uma simpatia e doçura contagiantes, comunicou e brincou com o fotógrafo e com as lentes da máquina com um à vontade grandioso. Um mimo, mesmo.
Et moi, fiz este livro pop-up (mentira... estava todo coladinho) em tempo record, o que me valeu duros calos nos dedos e terríveis dores musculares na mãozinha direita, à conta de horas e horas a manipular tesouras e x-actos.
Novamente, foi um trabalho que me deu um imenso prazer (bricolage! my middle name) e só tenho pena, como sempre, de não ter tido mais tempo para transformar a peça numa renda de bilros.

 
Parece um bolo de noiva, né? :)
Um bocadinho do making-of aqui.

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domingo, fevereiro 17, 2013

remind myself to remind myself

Aaaah... a gloriosa satisfação de criar to do lists. Encher papiros quilométricos de itens, a fazer, a procurar, a comprar, a consertar... Escrevinhar post-its – que mesmo se forem de outra cor acabam por se tornarem amarelos com o passar do tempo – e forrar o ecrã do computador com eles. Fazer inúmeras anotações em caderninhos que, dia-após-dia, passam da mesa de cabeceira para a carteira e vice-versa. Rabiscar pedaços de papel, guardanapos ou em desespero, a própria palma da mão, com lembranças de última hora.
Falando por mim, no caos que me rodeia e que frustrantemente não consigo domar, estes rituais têm o intuito de ajudarem a não descurar assuntos minimamente importantes, para que a vidinha siga um pouco mais organizada e metódica. 
Sempre cheia de boas intenções, o ano inteiro... Até tenho umas folhinhas cor-de-laranja "especiais" exclusivamente para as listas do supermercado. Ora, que requinte.
A listagem da passada semana apresentava-se bem preenchida e, entre assuntos mais burocráticos, urgentes e sérios, assim que detectei no duche o boião a ficar algo oco, o item "comprar shampoo" foi acrescentado e sublinhado. Mas, volvida outra semana, aqui tenho o mesmo rectângulo de papel, amarfanhado e sem nenhuma check mark assinalada. 
Porquê?
segunda-feira – nem li a lista
terça-feira – nem saí de casa
quarta-feira – saí de casa mas nem me passou pela cabeça
quinta-feira – passou-me pela cabeça mas o supermercado já estava fechado
sexta-feira – who cares? é sexta-feira
sábado – outras prioridades falaram mais alto
domingo: enfiada na banheira e já ensopada em água a ferver, o gesto de esticar a mão para agarrar o shampoo foi abruptamente paralisado. A ideia de sair dali e procurar amostras roubadas em hotéis não pareceu nada aliciante (friiiiiiiiio), pelo que com um subtil encolher de ombros, decidi que uma compota de morango (ver 7 posts abaixo...) poderia dignamente cumprir a função. 
Corri o risco de ficar com o cabelo feito num ouriço mas, ou era isto, ou fingir que me enganei outra vez.
Desmiolada por desmiolada, mais vale assumir.

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quinta-feira, fevereiro 14, 2013

valentona

Já que esta casa é silly e kinky todo o ano – com todo o gosto e muito prazer – hoje, dia 14 de Fevereiro, não será excepção.
Escuso-me a retóricas de prós, ou contras. Potato/patato, tomato/tamato, o ovo ou a galinha. Always, the same old story.
Essencialmente, cada um faz o que quer. Ou... o que pode.
Mas como sou muito fada/dada a (des)celebrar o que quer que seja, convidei uma amiga para jantar. Um bife (um bife, um bife, o meu reino por um bife!), um bom vinho e conversa de miúdas pareceu-me uma boa ideia para a animar. Está deprimidissima. Deprimida porque é "dia dos namorados", raios parta esta coisa. Deprimida porque não tem namorado. Deprimida porque, na sua perspectiva, sair hoje ia deixá-la, imaginem, mais deprimida. E ainda como bónus, uma dose de depressão extra só de prever as olheiras e a ressaca do dia seguinte.
E eu? Que direi? Exactamente na mesma situação mas corajosamente disposta a ultrapassar meros detalhes e, vai-se a ver, ainda por cima levei com uma tampa! Trufas, assim, sem dó nem piedade. 
Com o ego nas ruas da amargura, sei perfeitamente que as minhas olheiras estarão cá amanhã, – infelizmente, eternamente imutáveis – com ou sem jantar.
Quanto à ressaca, logo se vê. Acompanhada ou sozinha.

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terça-feira, fevereiro 12, 2013

play-forward-rewind-play

O drama do dia em 24 alíneas:
1
um monte de roupa para lavar
2
uma carga feita à máquina 
3
 um monte de roupa para pendurar no estendal
4
  chuva
5
impossibilidade de pendurar a roupa no estendal
6
mesmo sem chuva, a mesma impossibilidade
7
afinal estou sem estendal (outro drama com direito a alíneas próprias)
8
monte de roupa artisticamente empilhada em cima do radiador
9
dormir
10
uma pirâmide de roupa, por uma qualquer falha técnica, desmorona-se  
11
uma Milú descobre nova cama caída do céu
12
a noite de sono provoca-lhe um lombo húmido
13
o meu acordar provoca-me uma irritação para o resto do dia
14
pilha de roupa feita numa rodilha e coberta de pêlos brancos
15
o mesmo monte de roupa para lavar
16
nova carga feita à máquina
17
uma cadela encardida escapa, por uma unha negra, ao programa de centrifugação
18 
um monte de roupa para secar
19 
sol 
20
impossibilidade de pendurar a roupa no estendal
21
mesmo com sol, a mesma impossibilidade
22
afinal estou sem estendal
23
monte de roupa artisticamente empilhada em cima do radiador
24
(...)

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segunda-feira, fevereiro 11, 2013

c'um caraças


Por vicissitudes da oitava vida paralela da fada, nos últimos tempos estive em permanente ping-pong de emails com uma rapariga francesa. Super querida desde o primeiro contacto, as mensagens foram evoluindo informalmente e, cheias de simpatias de uma para com a outra, ficámos as melhores amigas. Assim, cutchi-cutchi, tu-cá, tu-lá.
Passaram-se 3 meses de afável e divertida comunicação em preparação para uma visita dela a Lisboa, onde pretendia trazer a filhota para comemorar os seus 10 anitos e, expressamente, para brincar ao Carnaval :) 
Pareceu-me uma excelente ideia e muito original presente de aniversário. Imaginei-a uma parisiense estilosa, de franjinha e bóina, a passear com a criança pela mão nas calçadas de Lisboa e, claro, sempre absolutamente firme no alto dos seus stilettos. A imagem era bonita.
Finalmente chegou! Hoje. E como não fui recebê-la pessoalmente, contactei logo a pessoa que o fez para saber se tudo tinha corrido bem. Queria ter a certeza de que estava a ser bem tratada.
E sim, sim, confirmaram-me que correu tudo às mil maravilhas, a miúda é uma querida, e o pai também!
Oi?
O pai? 
Ela, a minha querida amiga, afinal é um ele...
Comecei a pensar onde me enganei tanto. Terá sido no nome andrógino a remeter para personagens de manga japonesa?
Terão sido os inúmeros detalhes que procurou saber sobre Lisboa? E sobre todos os eventos e festarolas de Carnaval? 
Terá sido a preocupação e minúcia em garantir e transformar esta viagem numa inesquecível surpresa e festa para a filha?   
Estou algo embaraçada comigo própria. Fui preconceituosa... tirei ilações precipitadas, em suma, fiz uma leitura imediata e errada sem nunca me passar pela cabeça a possibilidade de uma realidade diferente. Medo.
E claro, nunca irei revelar a minha gaffe à menina...
Sem querer arranjar justificações fáceis, talvez o facto de todos os emails (incluindo o subject e assinatura) terem sempre chegado forrados de bonecada e florzinhas (desde o primeiro), possa ter sido o pequeno tudo-nada a provocar a confusão.
"(・_・?) ☆彡 (¯`·. trá-lá-lá-and-so-on-and-on-and-on.·´¯) □_ヾ(・_・ )"
Get my point? E afinal... do que é que isto serve para tirar as conclusões a que cheguei? Exacto... nada, simplesmente nada.
Mas, fantástica coincidência tento convencer-me –, é Carnaval, e ninguém leva a mal :\
E, verdade, verdadinha, fartei-me de rir com o "trocadilho" :)))

lição (finalmente, ok, parcialmente...) aprendida: don't judge the dog by the fleas
estou perdoada?

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sexta-feira, fevereiro 08, 2013

democracia


Depois de ter lido isto, surgiu-me uma ideia.
Alguém vai negar-me este direito?

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

super shopping

Para tentar combater este estado catatónico em que me encontro, nada melhor do que arriscar um simples exercício de terapia, vulgo, uma visita ao supermercado. 
Talvez o facto de não ter uma côdea de pão na despensa nem um ovo choco no frigorífico, tenha contribuido para uma momentânea rajada de coragem e energia.
Mas aqui no bairro, é sempre uma alegria a ida às compras, pois não existe melhor e mais rápida forma de encontrar a vizinhança.
Hoje não foi excepção, quando dois queridos amigos me procuraram na fila da caixa, depois de terem encontrado a Milú Maria atarrachada à porta da loja. E quando saí tinha outra amiga a coçar os bigodes à bicha. Está provado que é bom ter "alguém" que anuncia, de forma tão inequívoca e distinta, a minha presença :)
Outro detalhe que contribuiu consideravelmente para o sucesso da incursão terâpeutica, foi o facto da superfície comercial se encontrar envolvida (aos altos berros) pelas melodias trá-lá-lá lânguido/melosas do nosso mui estimado Dean.
Por momentos, pensei que ainda era Natal :) e o cenário de bróculos, tomates, queijos e chouriços, ganhou uma certa aura de videoclip. Creio até que cheguei a retirar da prateleira um frasco de maionese, em câmara lenta.
Ainda mais emocionada fiquei quando, no corredor das bebidas, me cruzei com um rapaz que assobiava, compenetradamente, com toda a segurança e convicção, os flauseados de That's Amore. Não o conheço de lado nenhum, mas subiu instantaneamente 300 pontos na minha consideração.
Amanhã talvez arrisque ir ao talho.

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